Cartas de Recomendação: Como fazer?

Se você já ouviu falar nas recommendation letters, provavelmente sabe que é uma parte importantíssima para quem quer estudar no exterior. Como um processo holístico, as escolas te avaliarão por completo. Além de saber quem é você por meio das suas essays, atividades extracurriculares e notas, os admissions officers querem entender como seus professores te enxergam. Isso é importante para que eles tenham outro ponto de vista de quem você é. Seja você um professor que precisa escrever uma carta, ou se você é um aluno, cujo professor não faz ideia de como fazer. Saiba que você está no lugar certo!

Cartas de Recomendação podem dar medo e parecerem assustadoras, mas saiba que não é um bicho de sete cabeças, e eu estou aqui pra te ajudar. Então, vamos lá!




O que são e qual a importância?


Como já vimos antes, Cartas de Recomendação são documentos que serão escritos por alguém da sua escola. Pode ser um professor, um coordenador, o diretor. Depende de qual o objetivo da carta. Já que existem as cartas de professores e a carta de um Counselor, alguém da administração da escola. Se você está aplicando para Boarding School ou High School Abroad, provavelmente precisará enviar ambas. Uma de um Counselor e no mínimo uma de um professor. A mesma coisa se aplica para quem está aplicando para Colleges. Se você está aplicando para um Summer Program ou algo semelhante, talvez você também precise, de pelo menos uma, mas sempre verifique no edital do programa. Ambas têm o mesmo objetivo e estrutura, porém, com pontos de vista diferentes.

Os Admissions Officers usam as recomendações para avaliar qual ambiente escolar você está inserido, como é sua relação com professores, funcionários e colegas. É um documento sobre você, no qual não é você que está falando.

A Instituição que você está se inscrevendo quer entender como você se adaptará a um novo ambiente, em um novo país. Por isso é importante escolher bem seu recommender, e que de preferência seja alguém que te conheça, para a carta render boas histórias.




Como escolher um recommender


Antes de tudo, atente-se se o site da Escola está pedindo um professor de uma matéria em específico. É muito comum a Escola pedir para que a carta venha de quem te ensina Inglês e Matemática. Se você tem interesses específicos como artísticos, é comum que peça uma carta de um professor dessa área também. Algumas Escolas podem aceitar cartas adicionais, como daquele instrutor de um Summer Course ou do seu supervisor de seu Voluntariado, e outras como Peer Recommendations, que são cartas de um amigo próximo. É muito importante lembrar que não se deve pedir recomendações para alguém da sua família, já que as Instituições não vêem isso com bons olhos.

Não peça uma carta para qualquer pessoa, é importante que seu recommender tenha proximidade de você, pois assim ele pode falar mais profundamente sobre suas qualidades, conquistas, desafios que você pode ter enfrentado, e isso ajuda os Admissions a te conhecer mais a fundo. Escolha alguém que tenha presenciado seu crescimento acadêmico e pessoal, para que possa ser falado com mais propriedade sobre quem você é. E que possa dar exemplos práticos dessas situações.

Muitas pessoas têm dúvidas sobre como falar com seus professores para pedir a carta. Mas isso é mais simples do que parece. Basta mandar um e-mail, ou conversar pessoalmente. Lembre-se de explicar os motivos pelo qual você escolheu essa pessoa, e sempre peça com bastante antecedência.



O que uma carta deve conter e como você pode ajudar seu recommender a escrever


É normal que professores brasileiros não estejam acostumados a escreverem cartas de recomendação, porque no Brasil não precisamos fazer isso. Mas você pode ajudar seu professor a escrevê-la. Isso depende muito de qual oportunidade você está aplicando, mas pode não ser recomendado que você leia a carta, pois isso pode deixar seus professores desconfortáveis para escrevê-la, além de que na application para Universidade e Boardings, você provavelmente assinará um termo de que não lerá a carta. Mas lembrando, que isso pode variar, e é sempre bom verificar para ter certeza. Caso você puder, pergunte se você pode ler e se a pessoa está disposta a ouvir suas sugestões.


“Ok, mas como posso ajudar, então?”


Marque uma reunião com seu professor, e explique detalhadamente tudo sobre a carta, além de citar momentos que você quer que ele escreva na carta. Pode ser sobre uma medalha que você conquistou em uma Olimpíada da matéria dele, um projeto que você participava, que ele te monitorava, ou um problema pessoal que ele te ajudou a resolver. Delimite um prazo, o ideal é que não seja muito curto, para não sobrecarregar a pessoa, mas também que não seja muito grande, pois a pessoa pode acabar esquecendo.


É importante sempre começar com a estrutura de uma carta. Portanto, use papel timbrado da escola, e faça um cabeçalho, com data e local. Comece usando “Dear Admissions Committee". No 1º parágrafo, o professor se apresenta dando uma perspectiva sobre quem está falando, quanto tempo conhece o aluno, e quão próximos eles são. É importante citar o contexto e brevemente o motivo pelo qual esse professor o está recomendando. No 2º parágrafo, se aprofunde mais nisso.

Sempre use a regra do “Show, not tell”. É muito melhor dar um exemplo específico sobre uma habilidade de como o aluno a usou em determinada situação, do que simplesmente falar “meu aluno é um ótimo comunicador”. Use essa regra para todo o conteúdo da carta.

No 3º parágrafo, cite histórias pessoais que evidenciam qualidades tanto de soft skills, quanto hard skills. Lembrando sempre de mostrar, como isso o ajudou a crescer ou melhorar em determinada área importante.


O ideal é que a carta tenha no máximo 1 página e não menos que meia página.

“Tudo bem passar um pouco?”

Sim, mas não recomendo ter duas páginas inteiras, por exemplo. Uma página e no máximo dois parágrafos é aceitável.

É interessante que o professor tenha um argumento de porque o aluno deve ser aceito, usando uma experiência palpável de como ele seria um ótimo perfil e candidato para essa Instituição.

Um ponto super importante é que a carta DEVE ser assinada por quem a escreveu, e deixando informações para contato, como telefone e e-mail. Essa assinatura pode ser digital. Muitas pessoas têm dúvida se a carta deve ser escrita a mão ou digitada. A maioria das Instituições preferem digitada, porque é mais fácil de ler.

Lembre-se que a carta deve ser enviada no idioma que exigirem, a maioria das vezes deverá ser em inglês. Caso seu recommender não se sinta confortável para escrever uma carta nesse idioma. Ele pode escrever em português, e você pedirá para o professor de inglês da sua escola traduzir, ou outra pessoa que consiga, (lembre-se que algumas Instituições perguntam quem traduziu, se foi traduzida), mas não é recomendado que você mesma traduza, então não faça isso.


Exemplos de Carta de Recomendação de Sucesso


O site do MIT (Massachusetts Institute of Technology) tem ótimas dicas para seu professor escrever, com exemplos de cartas, e principalmente o que não fazer em uma carta. Confira aqui.

Além disso, também há um Guia de como escrever cartas, voltado para Universidades e Boardings, na página do College Essay Guy. Aqui!



Se todas essas informações te ajudaram de alguma maneira, caso você (e seu professor) estava perdide. Agora não está mais!

Comente aqui embaixo, caso você ainda tenha alguma dúvida, ou queira adicionar mais alguma dica ou recurso que você utilizou e deu muito certo. Se você for professor, e estiver aqui a pedido de seu aluno, Parabéns por apoiar seus alunos a conquistarem seus sonhos! <3

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